Desde criança eu ouço a seguinte orientação: "Você tem que ser O melhor." "Esteja sempre entre os melhores senão, meu filho, você vai ser NADA na vida."
E pensar que por um instante eu quase acreditei nessa história, quase levei isso a sério colocando minha felicidade em xeque-mate. Me sinto aliviado por não ter acreditado que somente o melhor de todos, só o primeiro lugar, apenas ele é feliz e bem-sucedido; na verdade hoje até penso que ele deve ser sim o que mais sofre nessa vida, tanto pela forte auto cobrança quanto pela renúncia a qual está constantemente submetido para que permaneça no topo, na ilusão de estar no topo.
Se eu tivesse acreditado nessa conversa certamente eu seria hoje um frustrado e ainda teria que gastar uma fortuna pra pagar a conta do psicólogo. Digo isso porque na minha vida nunca fui primeiro lugar em nada (contrariando tanta expectativa e cobrança...), nunca fui o primeiro da sala no colégio, nunca tirei as melhores notas; nunca fui o atleta da turma, que ganha medalhas de ouro e troféus; nunca fui o ‘top student’ do curso de inglês, que fala fluentemente; nunca fui o aluno destaque no cursinho de matéria isolada, bajulado e querido pelos professores; não fui o primeiro lugar no vestibular, o gênio; e hoje não sou o melhor da sala na faculdade. E ainda tem mais, não tenho a menor pretensão de ser o laureado de turma, pra falar a verdade nem corro esse risco.
Talvez as pessoas que me passaram a "lição de ser o melhor de todos" não gostassem de ler esse texto, de saber que eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa. Fato é que mesmo discordando dessa idéia, eu jamais tive qualquer sentimento de desapontamento com relação a elas por conta desses ensinamentos frustrados; entendo perfeitamente que não o fizeram por mal, eles apenas queriam o melhor pra mim então por isso cobraram tanto essa postura de minha parte. Agradeço a boa intenção, mas prefiro usar meu senso crítico a fim de ‘filtrar’ as informações que são passadas a mim, aprendi cedo que não poderia levar a sério TUDO que me falam, não posso simplesmente executar tudo o que me mandam fazer como se por acaso eu fosse um robô.
Outra razão para esse excesso de cobrança, penso eu, se trata de um mecanismo de compensação que funciona quando as pessoas depositam em você tudo aquilo que queriam ter sido, mas, por falta de maturidade ou oportunidade, não conseguiram ser; é como se quisessem corrigir ou refazer a própria história através de você, através da sua história.
Não concorda comigo que seria muita pretensão? Quando quiseram fazr isso comigo a coisa complicou pois eu não estou disposto a viver a vida de ninguém, eu quero é viver a minha, quero eu mesmo fazer as minhas escolhas e, naturalmente, administrar os erros que invariavelmente surgirão. Enfim, não tenho vocação pra viver a vida dos outros, não tenho a menor preocupação em compensar qualquer aspecto de inferioridade da vida de alguém, ou seja lá o que for que ela tenha. Aviso logo, tô fora!
Não adiantou de nada tanto esforço, eu não tenho esse desejo de ser o melhor de todos, pra mim isso é uma vaidade desnecessária que custa um preço muito alto (e eu não estou disposto a pagá-lo nem financiado).
Tenho plena consciência de que eu posso me destacar pelo valor que tenho, pelo valor que as pessoas veem em mim, e não pelo valor de uma colocação num ranking. Afinal, sempre fui estimado pela minha essência então por que agora eu teria que correr atrás do título de ‘primeiro lugar’ para então obter algum reconhecimento?
Não, não preciso desse rótulo, não encaro a vida como uma eterna competição. Na minha vida estou seguro do que quero e corro atrás para conquistar, foi assim que cheguei onde estou e é assim que eu vou chegar até onde eu me permito ir, sem precisar ser o destaque absoluto de nada. E não se iluda, o fato de eu não me matar de trabalho para ser o melhor de todos não me coloca ao sabor da correnteza, não pense que estou perdido, vagando na imensidão...
Finalmente, pra acabar logo isso, agradeço muito ao incentivo daqueles que me mandaram ser “O melhor”, graças a eles hoje posso dizer que luto sempre para ser o melhor, o melhor que EU puder ser, não me cobro ser mais nem menos do que simplesmente isso.[Mente Hiperativa]
Quando eu era guri ficava horas e horas no quintal da casa de meu avô procurando um trevo de quatro folhas. Lá tinha essa planta, o trevo, e algumas pessoas diziam que no meio de tantas de três folhas havia apenas uma de quatro folhas, que daria muita sorte a quem encontrasse. Então, o besta aqui ficava procurando, pensando que assim teria toda a sorte da vida.
(Breve parêntese nostálgico)
Além de ficar procurando trevo de quatro olhas eu tambem fiz muitos pedidos a "estrelas-cadente" (que não passavam de aviões voando bem alto), escrevi cartas a papai noel, não podia ver um avião que dava tchau pensando que todos lá estavam me vendo, procurei ovos de páscoa supostamente escondidos pelo coelhinho da páscoa (e nunca me perguntei por que ele fazia isso, por que escondia) e até já viajei a outras galáxias e planetas no balanço que tinha na casa de vovó. Faz parte da infância essas coisas, a fantasia, faz parte ser um pouco besta... Criança é tudo feliz enquanto não sabe da realidade que lhe aguarda.
Voltando ao assunto dos trevos >>> um dia, felizmente, eu cresci e finalmente descobri que no meio daquelas plantinhas com três folhas havia SOMENTE delas com três folhas! Eu só tinha perdido meu tempo procurando uma de quatro folhas no meio daquelas. Muito tempo depois, já grande, até encontrei um trevo de quatro folhas pra vender (e essa muda tinha SOMENTE plantas de quatro folhas!)
Eu comprei mesmo sem acreditar mais que aquilo pudesse me dar sorte, comprei por que achei bonito, exótico. Então, pra minha constatação o trevo -de quatro folhas- nem me deu essa sorte toda, aliás, ela não tinha sorte nem pra si mesma pois não durou muito tempo, morreu logo.
Por isso pode parecer muito cético de minha parte, mas não acredito nessa tal de sorte. Não acho que um sapinho verde vai me trazer dinheiro ou que é bom ter uma ferradura atrás da porta para atrair sorte. Ferraduras são boas pra ter debaixo do casco do cavalo, ali sim devem dar muita sorte, especialmente para o cavalo que estiver usando.
Não fico esperando a sorte me tornar milionário do dia pra noite, me salvar de um grande perigo ou então me dar uma namorada perfeita; acho que EU tenho que fazer isso tudo acontecer, preciso correr atrás, a sorte não vai fazer nada por mim. Aliás, a sorte nem sabe que tem isso tudo pra fazer, a gente é que costuma atribuir tantas tarefas para a coitada fazer.
Assisti a um filme que fazia uma citação excelente: "A SORTE É QUANDO A COMPETÊNCIA ENCONTRA A OPORTUNIDADE". Perfeito, é isso! A frase explica que a sorte não vem do nada pra ir a lugar nenhum, ela apenas representa o encontro da oportunidade (que existe em abundâcia à nossa volta) com uma pessoa capacitada (isso é que tem pouco), simples assim.
A sorte nada tem a ver com os sapinhos ou ferraduras e o fato de carregar uma Marsilea quadrifolia no bolso não lhe fará mais 'sortudo' que os demais; sorte é resultado de esforço, lei da atração.
Essas coisas de amuleto, superstição e simpatia, no máximo nos dá auto-confiança, somente isso, não tem poder algum. É tudo conversa fiada.
Mas é claro que se você quiser continuar acreditando na sorte, vá em frente. Se você acha que um dia terá sorte e vai ganhar na mega sena, vai ficar milionário, tudo bem, eu estarei aqui trabalhando e estudando pra chegar no mesmo lugar que você. Eu tô dizendo, mas se não quiser acreditar então 'boa sorte' pra você.
Quer um pezinho de coelho? [Mente Hiperativa]
Links:
Sorte?
http://xpock.com.br/voce-sabe-o-que-e-sorte
Hoje eu vou blogar sobre a Morte, afinal nenhum assunto seria mais apropriado para o dia 2 de novembro. Hoje recebi um vídeo do Pedro Bial no qual ele trata a morte como uma bobagem, uma coisa ridícula (coloquei o link do video lá embaixo).
Pensando na morte (e não tenho medo ou resistência em pensar nela) não a vejo como um acontecimento em vão, acredito que ela seja um mal necessário, mais do que isso: ESSENCIAL. A morte é renovação, inicia novos ciclos, muda pensamentos, promove reflexões, a morte não é só o fim, mas também o começo.
Se a morte não agrada muito a quem fica, certamente deve ser bom pra quem se vai, que deixa o peso de viver, que se livra da responsabilidade e da dor da existência.
Não sei se é verdade que exista uma hora certa pra se partir, na verdade não acredito em nada do que dizem de destino e "histórias traçadas"...
Já ouviu falar que cada um tem uma missão? É, talvez seja assim mesmo, talvez nossa hora só chegue quando completamos nossa missão, então assim não teríamos hora marcada pra morrer. Tenho um professor na faculdade que fala que a morte nos acompanha e nos protege por toda a vida, até que chega a hora dela ceifar nossas cabeças, levando-nos embora de vez. Achei legal essa filosofia de que a vida cuida da gente... parece um pouco reconfortante acreditar que na hora do risco ela nos salva.
Bial diz ainda que as pessoas deveriam morrer depois dos cem anos, ele diz que as pessoas que morreram antes disso deixaram muitos anos pela frente, que ainda poderiam ter sido vividos.
Como a gente pode dizer que é cedo pra morrer? Se alguem morresse aos 20anos seria cedo? Se for assim então pode-se pensar que aos 90 também seria cedo. Por que morre aos 90 se pode morrer aos 100? Ou 110?
Nós sempre vamos achar que foi cedo, pois SEMPRE "poderia ter sido" um pouco mais tarde...
Eu mesmo espero morrer ANTES dos cem, bem antes. Não quero viver minhas últimas décadas em cima de uma cadeira de rodas, dependendo de alguém pra trocar minha fralda, não quero voltar a ser um bebê (afinal não terei mais mãe que cuide de mim e sinceramente tem coisas que SÓ mãe faz!). Não quero viver meus últimos dias sem me lembrar das coisas, não quero ser um peso na vida dos outros, por isso não quero morrer depois dos cem, isso eu deixo pra você Bial.
Eu quero ir na hora que eu tiver que ir, quando completar minha missão, quero ir tranquilo e deixar somente o que fiz de bom às pessoas, espero deixar boas lembranças, somente. Boas lembranças é o que guardo da minha vó, falecida há 6 anos, com pouco mais de 60 anos.
Guardo todas as recordações, ensinamentos, valores que ela me ensinou. Tenho saudade, bastante saudade. Quando ela partiu eu não aceitei, não quis acreditar, não podia ser verdade que ela, tão saudável, dormiu à noite e pela manhã não abriu mais os olhos. Parecia uma piada, a piada que não tem graça, a morte.
Eu não queria que ela tivesse ido, eu queria tê-la comigo um pouco mais, queria que ela estivesse comigo quando passei no vestibular (ela sempre me deu MUITA força nisso), queria que ela conhecesse os filhos que um dia vou ter, queria muito tantas coisas, queria tê-la comigo, pra mim...
Dpois de muito tempo fui obrigado a aceitar que ela se foi, que a perdi, mesmo ela nunca tendo sido minha de fato pois ninguem é de ninguem. Demorei, mas aprendi isso.
Descobri que eu era muito egoísta pois em momento algum eu parei pra pensar o que seria melhor pra ela, somente julguei que o melhor pra ela seria o mesmo que era melhor pra mim. Eu só me preocupava com o que eu queria pra mim, e eu queria ela junto de mim. Custei a entender que cada um tem sua história e por mais que elas se entrelacem eu preciso continuar a escrever a minha e não posso escrever a história de outra pessoa, só posso aceitar que sua hora chegou e ela precisou ir.
O que aconteceu com ela vai acontecer com meus outros avós, com meus pais e comigo. Um dia também vai chegar minha hora e terei que deixar meus filhos, netos e amigos. Um dia tambem vou partir e espero deixar saudades e lembranças para que assim eu possa ter certeza de que fui bastante amado.
[Mente Hiperativa]
Vídeo: a morte - de Pedro Bial
http://www.youtube.com/watch?v=PHO_DhR1pKo
Aceitar a morte não significa desistir da vida
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=4171
Programa prevê a data de sua morte
http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=616
Tem dia que eu me sinto a pior pessoa desse mundo, é tão grande esse sentimento que eu tenho raiva de mim. Nesses dias eu me sinto com o poder de detruir tudo com um simples toque, eu seria capaz até de derrubar as torres gêmeas com apenas um dedo (isso se o Osama não tivesse chegado antes...)
Eu não tenho a menor coragem de sair de casa, de espiar o movimento pela janela, de encarar o mundo, enfim. Não tenho vontade de fazer nada, o sol me incomoda, as pessoas me incomodam, o barulho que elas fazem me incomoda demais!
Não tenho paciência pra escrever, desenhar, escutar música, nem caminhar na praia. Fico monossilábico e agressivo com quem vier pertubar minha paz e me tirar da solidão, nessas horas me irrita até quem 'somente quer me ajudar'. Renego a pena alheia, nesses dias favor manter a distância mínima de cinco metros, ''para sua segurança''.
Então quando sou obrigado por algum compromisso (como a faculdade) a sair de casa eu fico apático, mudo, praticamente um autista. Em vão espero que as pessoas entendam a minha condição e sinceramente, não me encham o saco!
Que pena, nem sempre elas entendem... Sempre tem alguem que insistentemente fica a perguntar o que está acontecendo, como se por acaso EU soubesse!
Eu bem que tento acabar logo a conversa, tento um sorriso amarelo, quem sabe um desculpa esfarrapada; às vezes, no entanto, é preciso ser mais direto e objetivo (ou GROSSO mesmo), às vezes é preciso dar um fora para a pessoa entender que eu quero é ficar só!!! Nesse momento somente a solidão me aguenta, pois ela também não teria outra escolha senão me aguentar...
Prefiro ficar no meu quarto, sozinho, absolutamente sozinho. Eu leio, durmo, ou somente fico olhado para o teto, deitado sob o chão gelado do meu quarto. Não ouso pensar em nada, não dá certo. Melhor mergulhar no vazio e aguardar que isso passe, sempre passa. Não é a primeira vez e tampouco será última.
Assim eu passo um tempão... até o dia acabar e outro começar. Aí sim estarei pronto pra encarar a vida, depois desse 'tempo' e depois de uma noite de sono.
Parece estranho? Eu nunca disse que eu era uma pessoa normal...
[Mente Hiperativa]
Bendita é a avó que inventou o almoço de domingo, esse pretexto semanal que reúne toda a família em volta de uma mesa farta e barulhenta para se confraternizar. Pra mim essa é a perfeita descrição de um típico domingo.
Domingo é dia de comida, daquela bem gostosa e abundante, tão gostosa que não dá pra comer sem repetir o prato. É dia de elogiar a Maria pelos seus dotes culinários, de se fartar com as receitas de vovó ou até mesmo de se entupir de churrasco num bom restaurante à rodízio. Em se tratando de comida fica tudo bem simples: um domingo sem comida não é domingo; uma casa sem uma mesa cheia de comida não é uma casa; e uma vó que não entope os netos de comida certamente não é uma vó.
Domingo é dia de encontrar toda a família - ou pelo menos a maior parte dela - para conversar, contar as novidades, se atualizar sobre o ocorrido da semana. Essa é a hora de falar e também de ouvir, de resolver pequenas diferenças, é hora até de brigar e discutir, ou apenas ouvir as histórias e aprender com elas. É nesse diálogo todo que a gente se sente à vontade para expor nossos problemas, ouvir a opinião de quem realmente importa na nossa vida e se meter na vida dos outros (com a devida permissão, claro). A reunião do domingo é a ocasião pra gente falar o que quer e, eventualmente, escutar até o que não quer.
Domingo é dia de criança, toda família tem que ter crianças, elas trazem alegria a qualquer lar e são sempre o xodó da casa; além do mais elas detêm o poder de agregar as pessoas, reforçando a união familiar. Crianças são alegres por natureza, gritam, correm, não têm vergonha de nada, ainda mantêm a pureza e a espontaneidade em suas atitudes. Quando estamos em família cada um se torna um pouco pai e um pouco mãe das crianças, na medida em que ninguém escapa de dar uma mãozinha de contribuição nas tarefas; sempre sobra pra uma tia ou primo trocar uma fralda ou preparar uma mamadeira... Isso sem falar nas (inúmeras) solicitações de favores: “me faz isso”, ”por favor, pega aquilo”. É assim que tem que ser, família é mesmo sinônimo de cooperação.
Domingo é dia de festa! Todo domingo por si só já é uma festa e o dia fica ainda mais animado quando houve algum aniversário durante a semana, a comemoração sempre é estendida para o domingo. Muitas vezes, inclusive, o aniversário até já foi comemorado no próprio dia da semana, mas, implicitamente, todos já sabem que na reunião familiar de domingo haverá uma segunda comemoração (o ‘segundo round’) afinal pra fazer uma festa a gente não precisa nem de motivo, basta uma boa desculpa.
Domingo é dia de recordar, recordar o passado, as lembranças, a infância; é a hora que os jovens se sentem adultos e os adultos percebem quanto tempo já se passou. Nos reunimos no terraço de casa e alguém começa a contar uma história, a qual lembra outra história, e tantas outras que se seguem como um efeito dominó... Passamos horas relembrando os fatos que marcaram nossa história, nem percebemos o tempo passar. Muitas vezes as histórias já são conhecidas, pois foram repetidas semana após semana, mas, no entanto, ninguém se cansa de contá-las e ouvi-las, elas sempre irão nos render boas gargalhadas.
Domingo é dia de sentir saudade, saudade de quem já se foi e não habita mais esse plano. Seria inevitável passar um domingo sem sentir saudades de vovó, que instituiu tal evento semanal e sempre fez questão de reunir toda a família, mantendo-a unida. Ela foi o elo estruturador fundamental, nos ensinou (e cobrou) diversos valores que jamais serão perdidos. “Palavras podem até se desfazer com o tempo, mas exemplos certamente serão pra vida toda.”
Domingo é dia de perpetuar tudo aquilo que nos compõe enquanto família, é dia de exercitar a paciência da convivência, é dia de ensinar e aprender, também de dar e receber. Domingo é dia disso tudo, é dia de viver, domingo não é um dia que se passe em vão!
É louca uma pessoa que renuncia a rotina para encarar uma vida incerta e atribulada?E se ela se diverte e se excita numa situação de perigo?Tem gente que acha isso, mas eu penso o contrário, pra mim louco é quem quer dominar e ter o controle de tudo nas mãos, louco é quem tem medo do perigo e não ousa sair da situação na qual está.Cheguei a essas conclusões graças a uma amiga chamada Elis que vive a me chamar de psicopata, por que na visão dela eu sou louco e me exponho ao perigo, costumo dar uns vôos rasantes...Minha percepção é simples e clara, a vida muitas vezes já é tão chata e monótona, então precisamos fazer alguma coisa pra dar um pouco de emoção a ela, só isso. Acho muito sem graça manter o controle de tudo o tempo todo, primeiro que isso é ilusão, ninguém consegue de fato, segundo que a previsibilidade e o controle tiram toda a excitação e o sufoco, e sem estes não podemos vivenciar alguns sentimentos como a ansiedade e a alegria, não teremos as experiências da conquista e do sofrimento. Todas essas sensações, sejam elas boas ou ruins, serão úteis para nosso amadurecimento e evolução.Então eu me pergunto, qual é a graça de ter tudo planejado?Tem até uma história de que o destino já está traçado e blábláblá, mas qual seria a razão de viver uma coisa que já tem começo, meio e fim? Por acaso é uma peça de teatro?Eu prefiro mesmo é sentir o fio da navalha a ter tudo sob controle. Acredito que a vida é um livro em branco, não isso de destino traçado, quem escreve minha história sou eu, eu encaro o risco, gosto da adrenalina, quero mais é viver e sentir tudo que eu puder, no final das contas eu vou ter algumas história pra contar, e você que vive a previsibilidade?
Por isso eu digo não tenha tanto medo ou vergonha, "viva o dia como se fosse um fruto amadurecido que apodrecerá no dia seguinte", CARPE DIEM!
Como sempre, ando me questionando sobre alguns assuntos que estão me inquietando... Penso sobre o sonho e o estado de vigília (ou despertado), quero entendê-los, quero estabelecer um limite entre eles, mas parece difícil, não sei bem ao certo onde um acaba e começa o outro.
Como posso ter certeza absoluta de que nesse momento eu estou acordado, e não sonhando? Quem me garante?
À principio até mesmo eu achei que não havia sentido o questionamento, mas rapidamente me recordei de alguns sonhos que já tive e acordei me perguntando se realmente foi um sonho de tão real que pareceu; havia sentido o sonho, como se tivesse realmente vivido a situação.
Eu mesmo me vejo diversas vezes nessa situação, é verdade que alguns sonhos só me recordo por alguns minutos depois de acordado e outros nem consigo lembrar, mas muitos eu me lembro em detalhes, até sinto a experiência do sonho como um ato real. Costumo ter sonhos nos quais eu sobrevôo a cidade, fico planando no ar, sob as nuvens, sinto o vento e ouço-o, abro os braços e me sinto livre. Não é como um sonho, neles eu realmente experimentei a sensação de voar, não foi algo restrito a minha imaginação. Então, se eu senti que vivenciei aquele sonho, como posso não acreditar que foi realidade, taxando-o como sonho?
Do mesmo modo tem dias que estou acordado e sinto o dia como se estivesse de fora da situação, como um observador apático, é mais ou menos como quando você observa um ponto no infinito com os olhos arregalados sem pensar em nada, o chamado “pensando na morte da bezerra”. Nessa situação você vê e ouve o que se passa, mas é incapaz de reagir ou integrar o momento, é como se estivesse sonhando acordado, ou será que realmente estava sonhando, e não acordado?
Não tenho bem certeza de que a dita realidade é de fato real e que o sonho se passa quando dormimos, começo a acreditar que a distinção entre real e virtual está dissociada do estado de vigília/sono, não penso que seja necessário dormir pra sonhar ou estar acordado para viver a realidade.
Em algumas vezes eu durmo e continuo sintonizado com o mundo ao meu redor, muitas vezes estou plenamente relaxado em minha cama, desconectado de minha razão, mas ainda escutando e vendo o que se passa ao meu redor. Não sou capaz de responder fisicamente, ou pelo menos não tenho a menor vontade de fazê-lo, mas no outro dia sou capaz de dizer tudo que se passou. Seria isto um estado de sono, vigília ou sonho?!
"... E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado..."
Mário Quintana