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14 dezembro 2010

Permito ao corpo ficar ou permito à alma partir?


Ernesto sempre teve sede pela vida, adorava esportes, amava seu trabalho e no tempo livre, pouco tempo livre que dispunha, sempre estava viajando, conhecendo novas paisagens e pessoas interessantes. Mas numa dessas viagens ele sofreu um acidente que lhe deixou preso a uma cama, em estado vegetativo.

Sua mãe ficou chocada ao ver o filho naquela situação, admirou-se de saber que até a samambaia do seu jardim manifestava mais vida que seu amável filho. Ela não suportou a situação, não conseguia vê-lo ali naquela cama, sem qualquer reação.

Os anos passaram, seis anos, e Ernesto estava na mesma, somente os aparelhos o mantinham vivo. Vivo? Bem... Se coração batendo for sinônimo de vida, então podemos dizer que estava vivo sim. A família toda sofria com o seu estado, especialmente a pobre mãe, que todos os dias ia vê-lo na esperança de que tivesse aberto os olhos e voltado a "essa" vida, a esse mundo.

Eis que um dia, sentindo uma forte dor no peito, ela perguntou a si mesma e logo depois ao médico:
"E SE... NÓS DESLIGÁSSEMOS OS APARELHOS?"

Não era seu desejo de mãe, queria mesmo era ter o filho de volta nos seus braços, na sua vida. Mas após seis anos de espera e sofrimento ela havia se permitido fazer algumas perguntas:
Será que vale a pena ele “viver” assim?

Por quanto tempo será que eu na condição de mãe ainda aguento toda essa angústia?

Será que um dia ele realmente vai acordar?

Eram perguntas que ecoavam na sua cabeça e lhe acompanhavam no seu dia-a-dia, no seu martírio cotidiano. Ela queria saber o que o Ernesto pensava sobre isso, queria que ELE decidisse isso, mas infelizmente não era possível saber a opinião dele a respeito. Ninguém sabia se ele escolheria pela eutanásia ou se preferia ter a vida prolongada artificialmente.

Talvez até ele tenha tido uma opinião formada antes do acidente, mas quem garantiria que ele não mudou de opinião na ocasião do coma? Quem seria capaz de supor alguma coisa? Quem tomaria a iniciativa de desligar os aparelhos e pôr fim àquela eterna espera desprovida de qualquer garantia?


[Mente Hiperativa]

3 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Decisão difícil. Entram valores religiosos, afetivos, legais e sobretudo o mais doído: pede-se a esperança.
Abração

Carlos, Carlinhos, Getúlio disse...

Olá.
Aqui é o blogger do Caderno dos Sonhos. Bom, é uma história estranha eu estar enviando esta mensagem, porque entrei sem querer no meu Caderno dos Sonhos e vi alguns comentários seus. Bom, acho que você merece esta resposta e aproveito para perguntar se eu devo continuar com esses textos. Atenciosamente, CCG.

Hugo Otávio disse...

Uma das questões mais difíceis que podemos nos deparar, tanto como profissional de saúde, como por tentar se colocar no lugar dos familiares, assim como do próprio indivíduo, nem que seja por alguns instantes.
Bem, eu não seria capaz de impedir que os intrumentos continuassem "mantendo vivo" o paciente. Mesmo que "o bater do coração", não significasse vida, de fato. Eu acredito em milagres, na fé, no sobrenatural de Deus, mesmo sob quaisquer circunstâncias adversas. Mas sei também que, o sofrimento pode ser alastrado com a permanência de certas atitudes que à luz da Medicina, não são suficientes ou não propiciam a regressão à um estado mais favorável. É de se pensar e muito... Mas, valeu a reflexão, Sr. MH! É preciso estar preparado para toda e qualquer situação!

Blogo, logo existo.

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"... E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado..."

Mário Quintana